Todo amor começa de um jeito romântico. Um homem enamora uma mulher
porque gosta do modo como ela anda, da sua voz, do seu jeito. E, por
coisas tão pouco essenciais, as pessoas se apaixonam: o formato da
boca, a proporção do corpo, os seus olhos. Entretanto, quando as
pessoas ficam juntas, suas realidades entram em conflito. Uma das
coisas básicas a se compreender é que você ama uma pessoa porque ela é
o que você não é, ela tem o que você não tem. Você queria ser rico
porque era pobre. Todo o desejo de ficar rico era por causa de sua
pobreza. Ou, de outra forma, se você está com fome, fica obcecado por
comida. Mas quando seu estômago está cheio, quem pensa mais em comida?
O mesmo acontece com o que você chama de amor. O problema é que,
embora ambos se sentissem atraídos um pelo outro, na realidade eram
desconhecidos um para o outro. Na verdade, se o amor existe, você
passa a amar ainda mais a pessoa na medida que a conhece. O amor
cresce ainda mais a medida que você a conhece. Mas não estou dizendo
que a pessoa deva se apegar. O apego traz o medo. O medo de perder a
pessoa amada, o medo de perder o controle. O amor e o medo são pólos
opostos. Se existir medo, haverá menos amor. Se não houver o medo,
haverá mais amor. Se você amar de verdade, não se preocupará em perder
a pessoa amada ou em controlá-la. Você deixará fluir, não terá medo de
se fundir, não terá medo da vida. Não terá medo da felicidade.
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