
© Patricia Acar 2008
Vou escrever rude e direto. Há ocasiões em que não há tempo para
delicadezas e rodeios. Você acha que sua vida é uma droga, que ela não
é nada daquilo com que você sonhou. Deixe suas queixas para quando
houver real razões para elas; não estou fazendo o jogo do contente e
nem usando o argumento "muita gente está pior do que você". O jogo do
contente é um jogo de mentiras e o jogo do "muita gente está pior do
que você" não consola. A desgraça do outro não é razão para eu estar
feliz. Estou simplesmente tentando chamar você à razão. Não é a sua
vida que vai mal. É a sua alma. Da tradição Zen vem esta história que
eu quero lhe contar: "Um homem estava numa floresta escura. De repente
ouviu um rugido terrível. Era um tigre. Aterrorizado, ele se pôs a
correr, mas caiu num precipício. No desespero da queda agarrou-se num
galho e ali ficou. Foi então que, olhando para a parede do precipício,
viu um pé de morango. E nele, um morango, gordo e vermelho. Estendeu o
seu braço, colheu o morango e o comeu deliciosamente". E assim termina
a história. Pode ser mais tarde do que você imagina. Não perca os
momentos bons que a vida está lhe oferecendo, mesmo quando você se
encontra em desespero. Pode chegar um momento em que você tenha que
dizer: "Que pena que não comi com alegria o morango". Mas aí será
tarde. Lembre-se: o passado já foi. Não há como lamentar. O futuro
ainda não chegou. Só não tenha o que lamentar quando ele chegar. A
única coisa que temos é o momento presente. Portanto, não perca os
momentos bons.
Foto tirada no Cemitério da Recoleta, Buenos Aires, no dia 22/06/2008, às 11:25 h
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