sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Amor Não Acaba, Nós É Que Mudamos

Um homem e uma mulher vivem uma intensa relação de amor, e depois de
alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem
do raio de visão um do outro. Que fim levou aquele sentimento? O amor
realmente acaba? O que acaba são algumas de nossas expectativas e
desejos, que são subtituídos por outros no decorrer da vida. As
pessoas não mudam na sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de
pontos de vista e de necessidades, principalmente de necessidades. O
amor costuma ser amoldado à nossa carência de envolvimento afetivo,
porém essa carência não é estática, ela se modifica à medida que vamos
tendo novas experiências, à medida que vamos aprendendo com as dores,
com os remorsos e com nossos erros todos. O amor se mantém o mesmo
apenas para aqueles que se mantém os mesmos. Se nada muda dentro de
você, o amor que você sente, ou que você sofre, também não muda.
Amores eternos só existem para dois grupos de pessoas. O primeiro é
formado por aqueles que se recusam a experimentar a vida, para aqueles
que não querem investigar mais nada sobre si mesmo, estão contentes
com o que estabeleceram como verdade numa determinada época e seguem
com esta verdade até os 120 anos. O outro grupo é o dos sortudos:
aqueles que amam alguém, e mesmo tendo evoluído com o tempo, descobrem
que o parceiro também evoluiu, e essa evolução se deu com a mesma
intensidade e seguiu na mesma direção. Sendo assim, conseguem renovar
o amor, pois a renovação particular de cada um foi tão parecida que
não gerou conflito. O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das
nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras
possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar.
Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de
sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão
termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os
nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o
quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca
expulsamos definitivamente de casa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário